Ano de 2014, grandes impressões
de mim mesma. E em mais uma reflexão sobre as situações cotidianas, que na
minha vida nunca foram tão comuns assim, percebo que consigo lidar melhor com
as turbulências do dia-a-dia, dos fortes embates com pessoas que inevitavelmente
eu gosto. Ontem fui surpreendida por excesso de estereótipo que as pessoas comumente
traçam ao meu respeito. Não me conhecem e por isso não conseguem me reconhecer
em alguns traços, o que as surpreende e as deixam confusas. Fui magoada, o que
afetou meus sentimentos, mas o meu íntimo continua íntegro, por me conhecer,
por me reconhecer, por saber quem sou e do que sou capaz.
Sou chorona, demais até, mas não chorei uma
lágrima e não estou sublimando minhas sensações, estou vivendo e esses fatos me
mostraram o quanto me sinto forte. O choro não surgiu porque meu real eu não
viu necessidade disso, não fiz questão de segurar lágrimas.
Por um lado, fiquei feliz por mim
mesma. Percebo certo grau de evolução nos meus caminhos diante do acontecido, e
ao mesmo tempo me entristece a ignorância dos povos, da sociedade e das pessoas.
Ignorância em não se prestar a entender o outro, o que já denota um excesso de
egoísmo, por querer que o outro aja de acordo com preceitos traçados por um
grupo que diz privar pelos bons costumes. Bons costumes, nesse caso, é só uma
palavra atenuante de hipocrisia. E quer saber? Isso sim dói. Lidar com pessoas
que vivem em um mundo “perfeito”, fingindo gostar, fingindo que está tudo bem,
fingindo que o tempo apaga, fingindo que palavras não machucam, se relacionando
por interesse e ainda assim acreditando que aquilo pode se tornar “amor”,
fingindo amar. Que noção de amor é essa?!
Já tentei, e descobri que não
consigo ser personagem de uma história estável aos olhos dos outros, segurança demais me assusta, me
aprisiona. Parece um sentimento de tédio, mas não é, são pessoas com vidas
normais, e me desculpe, mundo, eu não sou normal e isso não me faz especial, me
faz diferente, faz com que eu não acredite em linhas estritamente retas na
vida. Haverá sempre algum ponto que vai mudar direções e proporcionar encontro
de retas que antes se acreditava serem paralelas, bem como desencontros
daquelas que em algum momento seriam concorrentes ou perpendiculares, dessa
forma, bem racional mesmo. O que quero
dizer é que gosto da ideia das retas, simplesmente porque estabilidade demais
me coloca em círculo e círculos são previsíveis, círculos me assustam. Como
diria o querido Chico Buarque: “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo
que as coisas nunca mudem” ... Desafios me cativam.
E de vez em quando, quando estou
distraída, calma, me sentindo livre e seguindo na minha reta distorcida, algum
fato acontece, desvirtua a direção da minha reta, e esta encontra outra que
estava ali do lado há algum tempo e por conta desse bom tropeço as retas se
cruzam e causa certo choque, mas ao mesmo tempo se identificam. Acontece que
essa sensação de identidade pode permanecer, aumentar ou ter um fim, só
dependerá das duas linhas e da dança rítmica que uma provocar na outra. O que
não posso negar é que sinto vontade de dançar, de entender essas nuances.
Sensações x sentimentos x
desafios x racionalizar!

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