É curioso... É curioso
e triste viver em uma sociedade onde todo e qualquer cidadão, mesmo aqueles
menos letrados, conseguem observar e perceber as injustiças existentes em um
mundo que parece tão distante, mas não deveria: o mundo da política.
Inicialmente,
consideremos os conceitos de Política dado pelo dicionário Aurélio:
S.f - 1. Conjunto dos
fenômenos e das práticas relativos ao Estado ou a uma sociedade.
2. Arte e ciência de
bem governar, de cuidar dos negócios públicos.
Mais curioso ainda é
verificar que a prática e a teoria, no que se refere ao simples termo, estão
longe de caminharem juntas. No dicionário parece tão bonito quanto surreal.
Há pouco tempo um
contingente de jovens “invadiu” as ruas brasileiras, em um movimento nunca
antes visto de forma tamanha. As principais cidades brasileiras foram tomadas
por jovens que gritavam pedindo ação, pedindo providências, exigindo respostas
do governo em questões política, econômica e administrativa do país.
Devo confessar, o
movimento foi lindo! Em Porto Velho, capital do estado de Rondônia, mais de 25
mil pessoas, entre jovens, adultos, crianças, pararam as principais ruas.
Clamando, como um pedido de socorro. Não imaginei que viveria para ver e
participar de um ato como aquele. Jovens erguiam cartazes com frases de
protesto que diziam: “vem pra rua”, “o gigante acordou”, “desculpem o
transtorno, estamos mudando o país”, “queremos escolas e hospitais padrão
fifa”...
Mas, como quase tudo na
vida, a ilusão parece mais bela que a realidade. Os atos no Brasil duraram
alguns dias, o governo tremeu na base e demonstrou isso com pronunciamento da
chefa maior do executivo, presidenTA Dilma Vana Rousseff, ajustes nas datas da
AP 470, conhecida como mensalão, votação da PEC 37, arquivamento de projeto de
lei titulado como “cura gay”, um atentado violento à inteligência dos
brasileiros, diante das barbaridades traçadas nesta, enfim... a pressão
funcionou e serviu para mostrar que o povo tem poder, mas infelizmente a
pequena percepção e falta de persistência deste mesmo povo não consegue fazê-lo
perceber o que naqueles atos se tornou óbvio.
O tempo passou, a
memória do brasileiro parece que esqueceu dos fatos de forma bem rápida e
ontem, 28 de agosto de 2013, um fato revoltante ocorreu em Brasília: A Câmara
dos Deputados manteve o mandato de Natan Donadon- sem partido/RO, decidindo
pela não cassação. A questão se torna revoltante, tendo em vista que Donadon, o
primeiro parlamentar que teve a prisão decretada pelo STF desde 1974, está
preso em Brasília desde 28 de junho. Ele foi condenado em última instância pelo
STF pelo desvio de 8,4 milhões de reais da Assembleia de Rondônia, quando era
diretor financeiro da instituição, incidindo peculato e formação de quadrilha.
Para ser cassado, eram
necessários 257 votos ou mais a favor da perda do mandato. Os favoráveis à
cassação somaram 233 votos, com 131 contrários à cassação e 41 abstenções, em
votação que ocorreu com voto secreto.
O deputado compareceu
ao Plenário na quarta-feira para se defender e, após a votação do processo de
cassação, retornou à Penitenciária da Papuda.
A decisão dos
parlamentares foi tomada apesar dos protestos que pararam ruas de todo o país
em junho cobrando, entre outras reivindicações, o combate à corrupção. O
próprio Congresso foi alvo de protestos, num deles com manifestantes subindo no
teto exigindo limpeza da cena política.
Os dizeres dos jovens
merecem correção: O gigante não acordou, parece ter tido uma leve crise de
sonambulismo e em seguida voltou à sua inconsciência.
Lembrei de “O
Alienista- Machado de Assis”, escrito entre 1881 e 1882, e o quanto ainda é
atual, porque as coisas hoje também estão de “ponta-cabeça”, principalmente em
Brasília, local onde mais facilmente colhem-se exemplos de atitudes
desequilibradas vistas com ar de normalidade, tal como a relatada. Decisão que
funcionou como um tapa na cara da sociedade.
E o momento remete a
uma música, lá vai ela:

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